Em 1954 Maslow já afirmava que o comportamento de um indivíduo seria motivado pelo objetivo intrínseco de satisfação de uma hierarquia de necessidades: fisiológica/sobrevivência; segurança; social/pertencimento; auto-estima/auto-reconhecimento; e realização pessoal.
Os vários estudos derivados desses pressupostos acabaram por forjar o conceito de Qualidade de Vida no Trabalho, onde o foco dessa abordagem está relacionada a valores ambientais e humanos que compõe a estrutura organizacional.
Para Walton (1973) a organização do trabalho, os processos, a competição e a tecnologia acabaram por bloquear uma série de questões fundamentais para o fazer e agir do homem de forma satisfatória. Onde elementos como: autonomia, compensação adequada, condições de trabalho, uso de suas capacidades, oportunidade de crescimento, segurança, crescimento pessoal, integração social, tempo de dedicação ao lazer e à família seriam fatores essenciais à satisfação pessoal, por um lado e à produtividade, por outro.
O estudo de Hackman e Oldham (1975) afirma que os trabalhadores estarão motivados, satisfeitos, desempenharão suas tarefas com qualidade, produtividade e assiduidade no trabalho, quando três estados psicológicos estiverem presentes:
1) Significação Percebida - percepção da importância e do valor do trabalho;
2) Responsabilidade Percebida - percepção da carga de responsabilidade experimentada;
3) Conhecimento dos Resultados de Trabalho - percepção do grau de entendimento quanto à efetividade do trabalho executado.
Para os autores estas ponderações seriam geradas a partir de por dimensões básicas oriundas das tarefas executadas pelos indivíduos, relacionando suas vivências e percepções dos resultados alcançados e a satisfação global em determinado contexto: variedade das habilidades; identificabilidade das tarefas; significação das tarefas; autonomia; repercussão externa e feedback interno.
Gorz (1980) aponta que o conhecimento, o uso da inteligência e a vontade do trabalhador foram ignorados na organização do trabalho, sendo substituídos por equipamentos, máquinas, tecnologia e processos. No mesmo enfoque, Berger (1983), diz que o trabalho humano é a atividade fundamental que vai possibilitar a modificação do mundo e as transformações da existência humana, no entanto, essa organização do trabalho gerou a perda de identidade do trabalhador na sua realização, criando um hiato entre trabalho e satisfação.
Na tentativa de minimizar os efeitos nocivos e potencializar as possibilidades positivas dessa questão, principalmente na era da informação, novas formas de arranjo organizacional foram sendo experimentadas no sentido de equacionar o problema.
Assim, os atributos pessoais associados aos valores corporativos e ambos direcionados aos objetivos organizacionais, uma vez sintonizados, poderiam refletir um saudável conjunto de atitudes construtivas baseadas na motivação, envolvimento, aprendizagem e colaboração.
O conceito do constructive thinking se refere ao grau em que o pensamento automático do indivíduo age no sistema vivencial - na resolução de problemas, nas inter-relações pessoais e institucionais e na minimização do grau de estresse. (baseado em Epstein & Meier 1989).
A essência desses conceitos é a estrutura de formação do estresse no ambiente profissional ou ocupacional. Genericamente, foca os elementos críticos ambientais que pressionam o indivíduo em suas rotinas diárias, incorporando as várias dimensões possíveis que impactam sua percepção.
Como sustentação teórica trabalhamos com as abordagens psicológicas das seguintes fontes: Cooper e Al. 1988 / Epstein 1998 / Epstein S. & Meier P. (1989).
As questões associadas ao conceito de global constructive thinking:
- relacionamentos interpessoais
- estresse ambiental
- estresse ocupacional
- papel dos estressores
- capacidade de lidar com fatores e atores ambientais
- fatores intrínsecos do trabalho
- pensar e agir no sistema vivencial
- processamento e interação de informações
- sistema de aprendizagem
- interface emocional
- interface ambiental
- categorização atitudinal
- otimismo
- inocência
- saúde psicológica
- saúde física
- satisfação com o ambiente / estrutura
- satisfação com o trabalho / processos
- satisfação com as relações pessoais
BERGER, J. Induces abortion and social factors in wild horses. Nature, v. 303, p.59-61, 1983.
COOPER C.L., SLOAN S.J. & WILLIAMS S. (1988) Occupational Stress Indicator Management Guide. NFER-Nelson, Windsor, Ont.
EPSTEIN S. (1998) Constructive Thinking – The Key to Emotional Intelligence. Praeger, Westport, CT.
EPSTEIN S. & MEIER P. (1989) Constructive thinking: a broad coping variable with specific components. Journal of Personality and Social Psychology 57, 332–350.
GORZ, A. Crítica da divisão do trabalho. São Paulo: Martins Fontes, 1980.
HACKMAN, J.R.; OLDHAM, G.R. Development of the job diagnostic survey.
Journal of Aplied Psychology. Santa Monica:v.60,n.2, p.159-170, 1975.
MASLOW A. H. Motivation and personality. New York: Harper & Row, 1954.
MORAES, L. R. F.; SWAN, J. A.; COOPER, C. L. A study of occupational stress
among government collar workers in Brazil using the occupational stress indicator.
Stress Medicine, v.9, p. 91-104, John Wiley & Sons, 1993.
WALTON, R. Quality of work life: what is it? Sloan Management Review, v.15, n.1,
p.11-21, Dec.1973.
Paulo Reis
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