setembro 26, 2010

observador gedankenexperiment

Eisntein conduzia parte de seu pensamento, se colocando na posição do observador de um evento.
O observador não existe necessariamente. Comumente é um ser abstrato, sugerido pela imaginação com o propósito de vivenciar eventos e acontecimentos em certo contexto, podendo se movimentar livremente no tempo e no espaço. Nesse sentido, é a essência do planejamento.
Se tudo cai... a luz cai?
A genialidade de Einstein consistiu em reconhecer que, dependendo da localização do observador de um fenômeno, no tempo e no espaço, boa parte das teorias estabelecidas se mostravam incompletas. Dava-se início ao processo da condicionalidade, da relativa incerteza.
De certa forma, por mexer nos alicerces que estruturavam a filosofia e a ciência nas últimas várias décadas (o espaço e o tempo não são absolutos, Galileu e Newton e seus antecessores se mostravam incompletos em suas conclusões), não parece distante dizer que foi um dos importantes marcos do processo de transição - ainda em curso - para o pós-modernismo.
A desconstrução de parte do antigo paradigma, trazia para a análise científica questões de ordem subjetiva - o observador, e suas características, podiam alterar as estruturas de um sistema e, portanto, impactar na forma de interação com outros sistemas. Com Einstein, cada observador passou a ter o seu espaço e o seu tempo, ou seja, o poder de interferir / alterar resultados...
Avançou na compreensão do que é o espaço e o tempo, reconhecendo que esses dois conceitos não são absolutos e estão ligados... descobriu que o espaço-tempo era alterado pela presença da matéria-energia... “Não penso que tenha quaisquer talentos particulares. Sou apenas uma pessoa apaixonadamente curiosa”.
Einstein usava como ferramenta metodológica um processo de facilitação / construção do raciocínio, baseado, primeiramente na imaginação - imagens mentais, para depois passar à experimentação tangível... O termo alemão para esse processo é 'gedankenexperiment', que pode ser compreendido como um sistema de construção conceitual, envolvendo o pensamento e o experimento.
O processo de trabalho gráfico conceitual desenvolvido pelo designers - traz novas contribuições às construções de mapas gráficos. Ao passo que é a convergência conceitual e prática de importantes (engenharias, ciências sociais, artesanato e artes plásticas) áreas do conhecimento humano, o pensamento do designer se conforma de uma forma gráfica multimodal, ora beneficiando mais uma dimensão de relevância, ora outra. 
O design thinking, como tem sido hoje reconhecido esse processo de dinâmica metodológica do design, vai focar, então a 'gedankenexperiment'  (pensamento/experiemnto) dessas distintas áreas: sendo mais prático e objetivo quando foca os processos de fabricação e construção, sendo mais lúdico e criativo quando foca os processos de ideação, sendo mais sistemático e experimental quando foca os processos projetuais, sendo mais observador e holístico quando foca os processos de investigação comportamental. 
Mas a desconstrução que derivou desse 'caos' promovido por Eisntein iria ter consequencias em áreas improváveis. Na Sociedade do Conhecimento, vários serão os atores / observadores. O observador quando personificado passa a possuir um grau inimaginável de importância do indivíduo dentro das organizações. Como já apontou Drucker na década de 60 passada, o trabalhador começava a deixar de ser apenas um executor de tarefas para assumir novas posições... o 'trabalhador do conhecimento' passaria a ter que assimilar informações, interagir, elaborar e interferir... O novo trabalhador - ainda em construção, passa a ser um observador crítico, que, dessa forma, interage com clientes e parceiros, acumula experiência, toma decisões, preserva a qualidade e assim, participa de forma ativa dos processos mais sofisticados dentro das organizações. O indivíduo passa a ser valorizado pela sua individualidade - coisa que a velha economia menosprezava.

Paulo Reis

Nenhum comentário:

Postar um comentário