Para um planejamento estratégico efetivo, tendo o design como estrutura de orientação e como meta o incremento do potencial inovador da empresa, é necessário em paralelo desenvolver e/ou adequar um suporte técnico e tecnológico compatível com todo o processo de gestão.
Um dos problemas que o design enfrenta para ser compreendido e aceito como a ferramenta estratégica que se propõe, é o fato de existirem poucos exemplos sólidos, sustentados por metodologias de condução gestora baseada em elementos métricos.
Se, para uma gestão eficaz é preciso a sustentação dos números, é vital gerarmos alternativas metodológicas capazes de suprir essa carência. O problema, então, é a utilização de sistemas de medição que não se restrinjam a medir os elementos instalados - capacidade produtiva, base tecnológica, eficiência técnica, operacionalidade organizacional, entre outros.
Nesse sentido, a questão fica um pouco mais nebulosa, visto que trataremos de questões intangíveis, onde algumas das questões centrais que trataremos, não só fogem do conceito de tempo presente, como também extrapolam as dimensões do espaço. Não é evidente medir a evolução potencial da capacidade de interação sinérgica de uma equipe ou de sua evolução integrativa no processo de desenvolvimento de projetos ou, ainda, a capacidade de respostas criativas e eficazes em ambientes turbulentos e sob pressão.
Para dar forma a ‘espinha dorsal’ da Gestão do Design é fundamental construir um processo sistêmico capaz de funcionar como suporte para o plano estratégico mais amplo, assim listamos alguns procedimentos básicos para dar início a essa rede interativa:
- iniciar o processo de forma ampla, no formato de Política de Design, envolvendo toda a organização;
- identificar na estrutura organizacional os caminhos de tomada de decisão nos diferentes níveis de influência potencial do Design;
- estruturar um sistema de TI transversal capaz de viabilizar a comunicação ativa entre setores;
- elencar os setores técnicos/operacionais com maior potencial de composição de uma cadeia sistêmica orientada para a inovação;
- hierarquizar os setores de acordo com o potencial apontado;
- pontuar os setores por dinamismo, tecnologia e potencial criativo;
- identificar os setores que precisam ser incrementados com a alocação de recursos – humanos, financeiros, tecnológicos e materiais – para melhor compor um sistema de desenvolvimento de produtos;
- direcionar e conduzir os recursos incrementais de forma estratégica, objetivando a inovação.
Para a gestão do design, ou seja, para a construção dessa rede sistêmica de desenvolvimento de produtos, o estabelecimento de critérios amarrados por prazos muito longos será um grande erro, uma vez que a realidade atual é lidar com a fluidez, com a incerteza, com o inesperado e com a mudança permanente.
Dessa forma, entendemos que a gestão do design sustentará sua eficiência como ferramenta estratégica, através de um processo contínuo de fomentação, na base da cultura organizacional, da construção, de uma capacidade perceptiva ampla dos movimentos e tendências tecnológicas, sócio-culturais, geopolíticas e mercadológicas.
A rede sinérgica, uma vez funcionando, será capaz de apoiar o processo de desenvolvimento de produtos e de contribuir para a manutenção da sintonia com os movimentos globais, através de ajustes permanentes em todo o sistema. Estamos falando aqui, de um processo de associação entre as atividades técnicas profissionais com o aprendizado ágil, a difusão e a atualização constante.
A idéia de rede sinérgica e sistêmica se ancora no conceito de equipe integrada, interativa, que busca unir os desenvolvimento humano individual e coletivo com a vivência do ambiente de trabalho, num processo abrangente de expansão de uma 'personalidade' profissional, significando o aumento da capacidade de resposta às freqüentes situações adversas, o que equivale a dizer, uma maior capacidade para tomadas de decisão.
Paulo Reis
Nenhum comentário:
Postar um comentário