O inicío da Bauhaus, com sua fundação, em 1919, foi na verdade a convergência de pessoas que representavam as idéias de vanguarda que emergiam naquele período de pós-revolução. Antes da própria Bauhaus, em 1910, essa convergência já se dava no escritório de arquitetura de Peter Behrens, o qual reuniu algumas das personalidades mais representativas da época: Walter Gropius, Le Corbusier e Ludwig Mies van der Rohe. Nesse período nasce o primeiro projeto de design, já com uma visão que extrapolava os limites operacionais da disciplina. O projeto inusitado que ocorreu no período de 1908-1909 para a fábrica de turbinas - AEG - de Berlim tinha um caráter estratégico. A concepção foi tratada por Behrens (arquiteto e designer gráfico) e Otto Neurath (sociólogo) como um 'todo' corporativo que abrangia várias dimensões que derivaram do projeto arquitetônico inicial: design ambiental, design de produto e design gráfico.
Esse evento marca a história do Design, sem dúvida, mas o mais importante, aponta o caráter político e a intenção de participar da construção social que viriam a se caracterizar como um dos alicerces do design.
Descendente direta da Bauhaus a Escola Superior da Forma de Ulm (Hochschule für Gestaltung Ulm) foi fundada em 1952 por Inge Aicher-Scholl, Max Bill e Otl Aicher e durou até 1968. Ali o design aprimorou sua perspectiva pós-moderna inserindo disciplinas como ergonomia, história da cultura e semiótica e sistematizando o processo metodológico:
Reflexão;
Análise;
Síntese;
Fundamentação;
Seleção das alternativas.
De maneira geral os métodos apresentam uma sequencia estrutural que seguem a definição e identificação das necessidades/oportunidades de projeto. Através da coleta e análise de informações técnicas, teóricas e históricas acerca do contexto em questão, o mercado, o público-alvo, a distribuição e os competidores, são geradas alternativas, definidos conceitos e selecionadas as altertivas mais viáveis. Depois de um processos de análise e avaliação final, desenvolve-se o produto e passa-se a interagir com as respostas do mercado.
Todo o processo de design é ao mesmo tempo criativo e racional. Para o designer Joaquim Redig o design é o equacionamento simultâneo de fatores ergonômicos, perceptivos, antropológicos, tecnológicos, econômicos e ecológicos no projeto dos elementos e estruturas físicas necessárias à vida, ao bem-estar, e/ou à cultura do homem. Para o designer Victor Margolin, o design é tanto uma expressão de sentimentos quanto uma articulação da razão. É tanto uma arte quanto uma ciência, um processo e um produto, uma afirmação de desordem e uma visualização de ordem.
Alguns nomes importantes ajudaram a construir exemplos metodológicos com maior ou menor sofisticação e aprofundamento. O método de Asimov (1962) é uma das referências mais antigas:
1 Fases Primárias
1.1 Identificação da necessidade
1.2 Estudo de factibilidade ou exeqüibilidade
1.3 Projeto preliminar
2 Fases do ciclo de produção e consumo
2.1 Projeto detalhado
2.2 Planejamento da produção
2.3 Planejamento da distribuição
2.4 Planejamento para o consumo
2.5 Planejamento para a retirada
O método de Jones (1976) aponta as seguintes fases de desenvolvimento para um projeto de design:
Fase de Análise
Lista dos fatores influentes
Classificação dos fatores
Fontes de informação
Interação entre fatores
Programação
Verificação da análise
Fase de Síntese
Criação
Soluções parciais
Restrições
Combinação das soluções parciais
Apresentação das soluções
Fase de Avaliação
Valorização global
Avaliação da funcionalidade
Avaliação em termos de produção
Avaliação em termos de venda
O modelo metodológico de Bonsiepe (1978) trata, também de três fases como a seguir:
1) Fase de Estruturação do Problema
Descobrimento de uma necessidade
Valorização de uma necessidade
Formulação geral de um problema
Formulações particulares do problema
Fragmentação do problema
Hierarquização dos problemas parciais
Análise das soluções existentes
2) Fase de Desenvolvimento do Projeto
Desenvolvimento de alternativas
Verificação e seleção das alternativas
Detalhamento e otimização da solução
adotada
Construção e prova do protótipo
Modificação do protótipo
Fabricação em pré-série
3) Fase de Realização do Projeto
Fabricar pré-série
Elaborar estudos de custo
Adaptar o design às condições específicas do produtor
Produzir em série
Avaliar o produto depois de lançado no mercado
Introduzir eventuais modificações
Baxter (1998) trabalha seu método de forma mais fluida, buscando deixar 'janelas' para reavaliações.
1) Fase de Planejamento do Produto
considerar o momento da empresa
definir qual produto será desenvolvido para atingir a meta da empresa
descrever a especificação da oportunidade
identificar questionamentos básicos sobre o projeto
definir as restrições do projeto
definir as restrições do processo produtivo
coletar dados
coletar dados de mercado
coletar dados do usuário/consumidor
planejar estilo.
2) Fase de Projeto Conceitual
geração de conceitos
pré-seleção de conceitos
análise de conceitos
avaliação de conceitos
planejamento de novo ciclo de desenvolvimento
definição de equipe
estabelecimento de cronograma
3) Fase de Projeto de Configuração
nova geração de idéias sobre os conceitos escolhidos
exploração de formas possíveis de fabricação do produto
estabelecimento das restrições bésicas
estabelecimento dos elementos críticos
novas alternativas de projeto
alterações técnicas de materiais e processos
nova configuração do produto
seleção de configuração final
análise de possíveis falhas ou defeitos
planejamento de protótipo experimental
realização de testes
4) Fase de Projeto Detalhado
avaliação
aprovação
detalhamento de componentes
construção de protótipo
detalhamento final
montagem do produto
efetuar testes físicos
efetuar testes de funcionamento junto aos seus usuários/consumidores
teste qualitativo
5) Fase de Projeto para Fabricação
confecção de um protótipo de produção
definição dos parâmetros do processo de produção na indústria
encerramento do processo de desenvolvimento do produto
início da produção
lançamento no mercado
O processo de desenvolvimento apresentado na forma de um conjunto de estruturas gráficas busca sintetizar as etapas de compreensão, investigação, contextualização, desenvolvimento e concretização do design.
Para atender aos novos paradigmas, não apenas do próprio universo do design, como também do mundo global, a metodologia revisita algumas estruturas conceituais bastante conhecidas e propõe uma releitura adaptada de seus pressupostos. Dessa forma, busca associar elementos conceituais que caminham pelas investigações psicosociais de Lewin e Wertheimer, passa pelas sistematizações organizacionais de Drucker, Porter e Peters, se estendem às questões relacionadas a mercado, passando Levitt e Kotler - mais recentemente Clotaire e Underhill, e vão até as investigações da construção do pensamento de Sveiby, Nonaka, Senge e Gardner.
Como exposto anteriormente, a dimensão do design levam em consideração as estruturas metodológicas desenvolvidas por vários autores que, em menor ou maior intensidade, mergulharam nessa mesma necessidade de mapeamento técnico, metodológico, operacional e estratégico das ações do designer.
referências:
BONSIEPE, G.(1978) Teoria y Prática del diseño industrial. Barcelona: Gustavo Gili.
JONES, Christopher (1976) Métodos de diseño. Barcelona: Gustavo Gili.
Paulo Reis
Nenhum comentário:
Postar um comentário