setembro 26, 2010

bauhaus e os métodos

O inicío da Bauhaus, com sua fundação, em 1919, foi na verdade a convergência de pessoas que representavam as idéias de vanguarda que emergiam naquele período de pós-revolução. Antes da própria Bauhaus, em 1910, essa convergência já se dava no escritório de arquitetura de Peter Behrens, o qual reuniu algumas das personalidades mais representativas da época: Walter Gropius, Le Corbusier e Ludwig Mies van der Rohe. Nesse período nasce o primeiro projeto de design, já com uma visão que extrapolava os limites operacionais da disciplina. O projeto inusitado que ocorreu no período de 1908-1909 para a fábrica de turbinas - AEG - de Berlim tinha um caráter estratégico. A concepção foi tratada por Behrens (arquiteto e designer gráfico) e Otto Neurath (sociólogo) como um 'todo' corporativo que abrangia várias dimensões que derivaram do projeto arquitetônico inicial: design ambiental, design de produto e design gráfico. 
Esse evento marca a história do Design, sem dúvida, mas o mais importante, aponta o caráter político e a intenção de participar da construção social que viriam a se caracterizar como um dos alicerces do design. 
Descendente direta da Bauhaus a Escola Superior da Forma de Ulm (Hochschule für Gestaltung Ulm) foi fundada em 1952 por Inge Aicher-Scholl, Max Bill e Otl Aicher e durou até 1968. Ali o design aprimorou sua perspectiva pós-moderna inserindo disciplinas como ergonomia, história da cultura e semiótica e sistematizando o processo metodológico:

Reflexão;
Análise;
Síntese;
Fundamentação;
Seleção das alternativas.

De maneira geral os métodos apresentam uma sequencia estrutural que seguem a definição e identificação das necessidades/oportunidades de projeto. Através da coleta e análise de informações técnicas, teóricas e históricas acerca do contexto em questão, o mercado, o público-alvo, a distribuição e os competidores, são geradas alternativas, definidos conceitos e selecionadas as altertivas mais viáveis. Depois de um processos de análise e avaliação final, desenvolve-se o produto e passa-se a interagir com as respostas do mercado.
Todo o processo de design é ao mesmo tempo criativo e racional. Para o designer Joaquim Redig o design é o equacionamento simultâneo de fatores ergonômicos, perceptivos, antropológicos, tecnológicos, econômicos e ecológicos no projeto dos elementos e estruturas físicas necessárias à vida, ao bem-estar, e/ou à cultura do homem. Para o designer Victor Margolin, o design é tanto uma expressão de sentimentos quanto uma articulação da razão. É tanto uma arte quanto uma ciência, um processo e um produto, uma afirmação de desordem e uma visualização de ordem. 
Alguns nomes importantes ajudaram a construir exemplos metodológicos com maior ou menor sofisticação e aprofundamento. O método de Asimov (1962) é uma das referências mais antigas:

1    Fases Primárias
1.1  Identificação da necessidade
1.2  Estudo de factibilidade ou exeqüibilidade
1.3  Projeto preliminar
2    Fases do ciclo de produção e consumo
2.1  Projeto detalhado
2.2  Planejamento da produção
2.3  Planejamento da distribuição
2.4  Planejamento para o consumo
2.5  Planejamento para a retirada

O método de Jones (1976) aponta as seguintes fases de desenvolvimento para um projeto de design:

Fase de Análise
 Lista dos fatores influentes
 Classificação dos fatores
 Fontes de informação
 Interação entre fatores
 Programação
 Verificação da análise
Fase de Síntese
 Criação
 Soluções parciais
 Restrições
 Combinação das soluções parciais
 Apresentação das soluções
Fase de Avaliação
 Valorização global
 Avaliação da funcionalidade
 Avaliação em termos de produção
 Avaliação em termos de venda

O modelo metodológico de Bonsiepe (1978) trata, também de três fases como a seguir:

1) Fase de Estruturação do Problema
Descobrimento de uma necessidade
Valorização de uma necessidade
Formulação geral de um problema
Formulações particulares do problema
Fragmentação do problema
Hierarquização dos problemas parciais
Análise das soluções existentes
2) Fase de Desenvolvimento do Projeto
Desenvolvimento de alternativas
Verificação e seleção das alternativas
Detalhamento e otimização da solução
adotada
Construção e prova do protótipo
Modificação do protótipo
Fabricação em pré-série
3) Fase de Realização do Projeto
Fabricar pré-série 
Elaborar estudos de custo 
Adaptar o design às condições específicas do produtor 
Produzir em série 
Avaliar o produto depois de lançado no mercado 
Introduzir eventuais modificações

Baxter (1998) trabalha seu método de forma mais fluida, buscando deixar 'janelas' para reavaliações.  

1) Fase de Planejamento do Produto
   considerar o momento da empresa
   definir qual produto será desenvolvido para atingir a meta da empresa
   descrever a especificação da oportunidade
   identificar questionamentos básicos sobre o projeto
   definir as restrições do projeto
   definir as restrições do processo produtivo
   coletar dados 
   coletar dados de mercado
   coletar dados do usuário/consumidor
   planejar estilo.
2) Fase de Projeto Conceitual
   geração de conceitos
   pré-seleção de conceitos
   análise de conceitos 
   avaliação de conceitos
   planejamento de novo ciclo de desenvolvimento
   definição de equipe
   estabelecimento de cronograma
3) Fase de Projeto de Configuração
   nova geração de idéias sobre os conceitos escolhidos
   exploração de formas possíveis de fabricação do produto
   estabelecimento das restrições bésicas
   estabelecimento dos elementos críticos
   novas alternativas de projeto
   alterações técnicas de materiais e processos
   nova configuração do produto
   seleção de configuração final
   análise de possíveis falhas ou defeitos
   planejamento de protótipo experimental
   realização de testes
4) Fase de Projeto Detalhado
   avaliação 
   aprovação
   detalhamento de componentes
   construção de protótipo
   detalhamento final
   montagem do produto
   efetuar testes físicos
   efetuar testes de funcionamento junto aos seus usuários/consumidores
   teste qualitativo
5) Fase de Projeto para Fabricação
   confecção de um protótipo de produção
   definição dos parâmetros do processo de produção na indústria
   encerramento do processo de desenvolvimento do produto
   início da produção
   lançamento no mercado

O processo de desenvolvimento apresentado na forma de um conjunto de estruturas gráficas busca sintetizar as etapas de compreensão, investigação, contextualização, desenvolvimento e concretização do design. 
Para atender aos novos paradigmas, não apenas do próprio universo do design, como também do mundo global, a metodologia revisita algumas estruturas conceituais bastante conhecidas e propõe uma releitura adaptada de seus pressupostos. Dessa forma, busca associar elementos conceituais que caminham pelas investigações psicosociais de Lewin e Wertheimer, passa pelas sistematizações organizacionais de Drucker, Porter e Peters, se estendem às questões relacionadas a mercado, passando Levitt e Kotler - mais recentemente Clotaire e Underhill, e vão até as investigações da construção do pensamento de Sveiby, Nonaka, Senge e Gardner. 
Como exposto anteriormente, a dimensão do design levam em consideração as estruturas metodológicas desenvolvidas por vários autores que, em menor ou maior intensidade, mergulharam nessa mesma necessidade de mapeamento técnico, metodológico, operacional e estratégico das ações do designer.


referências:
BONSIEPE, G.(1978) Teoria y Prática del diseño industrial. Barcelona: Gustavo Gili.
JONES, Christopher (1976) Métodos de diseño. Barcelona: Gustavo Gili.

Paulo Reis

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