setembro 29, 2010

desenvolvimento diagnóstico

Um conjunto de estágios podem ser apresentados, de forma genérica, para percorrer os caminhos que idealizamos. Em linhas gerais seguem as estrutura tradicionais de investigação:
  • orientação focal genérica;
  • absorção de conhecimentos e informações;
  • estabelecimento das contribuições individuais independentes;
  • compartilhamento de informações;
  • análise de dados;
  • avaliação e seleção;
  • experimentação;
  • nova rodada de busca de dados com determinação focal mais específica.

O delineamento do contexto, das características e complexidades dos fatores envolvidos tornará possível começar a perceber a força da dinâmica dos movimentos contextuais a partir de entendimento das questões essenciais:
  • qual é o problema?
  • quais as suas origens?
  • como o problema é percebido?
  • quais seus impactos atuais?
  • quais seus impactos futuros?
  • quais são as soluções possíveis?
  • quais são as alternativas?
  • qual é a melhor solução?
  • qual é a melhor forma de colocá-la em prática?

O agente facilitador, a partir do contexto delineado, levará em consideração o conjunto das informações, para, mesmo com o direcionamento do facilitador, existirá a intenção de uma abordagem colegiada, indicando o resultado de consenso. O consenso traz à equipe a sensação de coesão e de conforto de participar do senso comum.
Para a obtenção de resultados mais consistentes, torna-se necessária o envolvimento motivado dos atores envolvidos. Vale a ressalva que as primeiras construções de diagnósticos são imprecisas e envolvem muitas vezes a necessidade de simulações de posturas e atitudes, nem sempre convenientes, para garantir o objetivo da busca iniciada.
Como pressuposto essas ações são permeadas por discussões onde todos os pontos de vista, dos vários atores, são apresentados e pormenorizados, servindo de suporte para a construção de uma estrutura consistente e coerente de raciocínio.
A dinâmica perceptiva da equipe de atores se envolve a tomada de posição num primeiro momento e a possível alteração dessa posição ao passo que aumentam as informações e complexidades dos eventos. As alterações de pontos-de-vista ocorrem em níveis distintos e complementares: a técnica, os valores, a cognição, a experiência, a afetividade, a objetividade e a intenção. Ao passo que essas dimensões são confrontadas com as demais, é natural a mudança de conscientização geral e da postura crítica inicial.
A partir do momento em que a visão do que se está buscando é alcançada, aceita e compartilhada, o processo para a consolidação de objetivos tem início. Tem início um processo de planejamento que envolve disciplina, atenção crítica, da projeção de futuro, percepção de tendências, análise de comportamento e acompanhamento dos movimentos culturais e tecnológicos.
A intenção estratégica da organização deve orientar a visão que passa a se estabelecer como meta. Aqui convergem as idéias de posicionamento de excelência, de singularidade, de especialidade e de vantagem competitiva.
Esse processo tem suas bases em estruturas sólidas advindas de pesquisas qualitativas e quantitativas, além de dados setoriais e oriundos de pesquisas acadêmicas. Tem, porém, forte estruturação em dimensões intangíveis baseadas na observação, criatividade, intuição, emoção e sensorialidade.
Ao criarmos um sistema de costura entre departamentos, estamos criando um sistema de ampla interlocução entre pessoas. Pessoas de diferentes idades, gêneros, formações, interesses e motivações. Quando criamos uma estrutura baseada em pessoas, não podemos de deixar de tratar com seriedade as questões fundamentais para o homem: atenção, conforto, bem estar, emoções, sensações, etc. Algumas posturas técnicas são características e pressupostos desse processo:
  • observar o macro-ambiente;
  • identificar tendências;
  • desconstruir rotinas;
  • implementar mudanças transformadoras;
  • mudar paradigmas;
  • construir o coisas novas;
  • materializar os valores;
  • confiar na interação criativa das pessoas;
  • interagir em grupos interdisciplinares.

Parikh[1] sustenta que no ambiente volátil que vivemos “para lidar com rápidas mudanças, é necessário certo sentido de estabilidade interior; para lidar com a complexidade, é preciso uma âncora de simplicidade; para lidar com incerteza, a pessoa tem de desenvolver um nível mais profundo de sistema de apoio interno; e para lidar com o conflito faz-se necessário uma capacidade especial de síntese, um nível mais profundo de percepção”.
A identificação do problema e sua conseqüente formulação é, muitas vezes, mais importante do que a própria solução, na medida em que o esforço do delineamento aonde o problema se constrói, pode ser mais rico, por alavancar novos enfoques, novas idéias, novas possibilidades, novas questões [2].
Se o objetivo é buscar uma solução diferente para determinado problema, é necessário, inicialmente, que se alterem o conjunto de fatores que fizeram chegar às soluções anteriores. Se a alteração dos elementos contextuais mudaram o paradigma estabelecido, é preciso adaptar todos os atores e fatores envolvidos no antigo cenário para que se consiga, efetivamente, uma nova análise e nova solução. 

Paulo Reis


[1] PARIKH, Jagdish. Intuição, a nova fronteira da administração. SP: Cultrix, 2000.
[2] Baseado em máxima de Albert Einstein.

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