Os processos de gestão semelhantes, os custos da matéria-prima e da mão-de-obra relativamente uniformes e a disponibilidade de aparatos tecnológicos com acesso rápido e ágil (e muitas vezes barato), tornaram a competição, uma disputa extremamente acirrada, onde os players passaram a se destacar por pequenos detalhes inovadores.
São detalhes que fazem a diferença na forma da embalagem, no rótulo, na disposição dos produtos na prateleira, enfim, se destacam no ponto-de-venda. São detalhes que fazem a diferença no uso do dia-a-dia, no conforto do uso, na facilidade de manusear, na segurança do transporte e armazenagem, na proposta de descarte. Detalhes que por pertencer ao universo sensorial atingem o usuário de maneira mais sutil como, a textura do material utilizado no invólucro do produto, o aroma, a forma, a cor, o texto e o nome.
Em levantamento realizado em 2003 pelo Monitor Group 96% dos presidentes de grandes empresas brasileiras consideram essencial ou muito importante a questão da inovação. Independentemente do setor, a inovação é a mola para impulsionar a diferenciação de produtos ou serviços. A realidade nas pequenas e médias empresas não é muito diferente, raras são as estruturas organizacionais que trazem embutidas em sua cultura, orientações para tornar o processo de inovação uma ação sistemática.
Os processos de gestão, no entanto, parecem caminhar na contra-mão da tendência global. De maneira geral, poucas mudanças tem sido feitas nesse sentido. Como apontava Peter Drucker, a maioria dos pressupostos relativos às empresas e à tecnologia possuem mais de 50 anos, o que aponta, como conseqüência, que vivemos em um mundo onde as práticas técnicas, políticas e científicas destoam cada vez mais da realidade e cujos alicerces fundamentais estão tendendo rapidamente à obsolescência.
Entre as barreiras identificadas para uma maior eficiência e eficácia da inovação destacam-se a ausência de uma cultura corporativa voltada para a inovação, a burocracia interna, a falta de planejamento estratégico claro, a deficiência em processos estruturados de comunicação e alinhamento organizacional para a inovação, além de dificuldades na gestão de projetos.
A evolução do homem está calcada na idéia da adaptação e inovação. Mas apesar de ser um tema antigo, só passou a ter seu estudo sistematizado e aprofundado há menos de uma década.
A inovação é hoje uma palavra-chave de 100% das discussões corporativas. A primeira vista, é como se fosse o tema da moda, a nova tendência em voga no mundo competitivo. Mas é mais que isso. É um processo de ação que se faz necessário na adaptação do ser humano do século 21, e, conseqüentemente, de seus empreendimentos. Nesse sentido, a inovação como sistema, é a contrapartida reativa à fenomenal quantidade e velocidade com que novos dados surgem. É a tentativa de se estabelecer um novo processo de apoio cognitivo capaz de absorver a velocidade com que a dinâmica do ‘novo’ acontece.
Inovação está relacionada com a desconstrução da interação de atores e fatores, e seu conseqüente rearranjo. Dessa forma a inovação, como processo, está em permanente ação investigativa, em posição proativa para a alteração de paradigmas estabelecidos.
O processo inovador, agora em fase de sistematização, se constrói com estruturas flexíveis, onde os ajustes são perseguidos de forma constante. A falta de compreensão do escopo dessa disciplina tem sido um dos fatores determinantes para o insucesso de uma série de iniciativas corporativas, quando tratada como uma nova ferramenta de gestão. Nesse formato, as empresas mais progressivas, adotam o ‘novo modelo’ aplicando recursos e aguardando o referente retorno – que não chega.
O sistema da inovação não é a adoção de tecnologias hitech, não é a implantação de novos processos, não é criatividade e não é invenção. Estes seriam, sim, resultados possíveis de um sistema inovador em curso, mas se e quando, oriundos de um denso processo de investigação, elaboração, adequação e desenvolvimento.
Inovação é, então, aquele sistema gerador de um diferencial competitivo consistente com os valores envolvidos e coerente com os objetivos estratégicos estabelecidos de uma empresa frente aos competidores.
É esse processo de constante geração de elementos diferenciais que, na medida em que é sustentado pela verdade dos valores e pela clareza e transparência das ações efetivas, vai sustentar e viabilizar o potencial competitivo da organização.
Elementos diferenciais, em maior ou menor escala, podem surgir em pequenos detalhes operacionais de um departamento de logística ou na forma de produtos inusitados. Podem ter retorno financeiro imediato ou mesmo não dar retorno. Podem ser a base de sustentação de um novo serviço ou a chave de manutenção da antiga posição estratégica.
Na verdade, o resultado pontual não é representativo, posto que o sistema de inovação representa, antes de tudo, um processo de adaptação sensível à dinâmica do macro-ambiente. Dessa forma, sua performance é também dinâmica e fluida, se conformando mais como uma idéia ‘gel’ do que como uma idéia ‘sólida’. Onde o retorno não pode ser medido com precisão cartesiana, nem em valor nem em tempo.
No entanto, o processo parece se estabelecer como vital para o sucesso competitivo e vital para a sustentação dos objetivos organizacionais de médio prazo. A necessidade da inovação se confunde com a sustentabilidade. A sustentabilidade é a idéia da manutenção da atividade econômica baseada no bem estar do homem e na não agressão ao meio ambiente. Esse é um processo de permanente investigação, adequação, elaboração e desenvolvimento. É um processo fluido, dinâmico que exige sensibilidade aos elementos envolvidos – atores, fatores e contextos.
Paulo Reis
Paulo Reis